Seminário FNOUH 2026 consolida novo momento das ouvidorias universitárias e anuncia mudança histórica no nome do fórum
Evento realizado no Rio de Janeiro reuniu representantes de universidades, hospitais de ensino, defensorias públicas e instituições nacionais e internacionais para debater direitos humanos, autonomia universitária e fortalecimento das ouvidorias
O Seminário 2026 do Fórum Nacional de Ouvidorias Universitárias e dos Hospitais de Ensino (FNOUH) marcou uma nova etapa na história das ouvidorias universitárias brasileiras. Realizado no dia 25 de junho, no Campus Praia Vermelha da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o encontro reuniu representantes de universidades, hospitais de ensino, defensorias públicas, órgãos de controle, instituições nacionais e internacionais para discutir o tema “Autonomia, escuta e projeto de nação: o papel das ouvidorias universitárias e dos hospitais de ensino”.

Além de promover um amplo intercâmbio de experiências, o seminário ficou marcado por importantes anúncios institucionais, entre eles a alteração oficial da denominação do Fórum. A entidade deixa de se chamar Fórum Nacional de Ouvidores Universitários e de Hospitais de Ensino e passa a adotar oficialmente o nome Fórum Nacional de Ouvidorias Universitárias e dos Hospitais de Ensino (FNOUH).
A mudança reforça o caráter institucional da organização e elimina a marcação de gênero presente na nomenclatura anterior, alinhando-se aos princípios de inclusão, diversidade e representatividade que orientam a atuação das ouvidorias.
Encontro fortaleceu articulação nacional e internacional
Pela primeira vez, o encontro nacional foi realizado na cidade do Rio de Janeiro, tendo a UFRJ como instituição anfitriã.
Ao longo do dia, especialistas de diversas regiões do país compartilharam experiências relacionadas ao enfrentamento do assédio, promoção dos direitos humanos, mediação institucional, transparência, participação social e fortalecimento das ouvidorias como espaços estratégicos para a democracia universitária.
O evento também contou com representantes da Rede Ibero-americana de Defensorias Universitárias (RIdDU), ampliando o diálogo internacional sobre os desafios contemporâneos enfrentados pelas universidades.
Na avaliação da presidente do FNOUH, professora Cristina Ayoub Riche, um dos principais objetivos do seminário foi aproximar as ouvidorias universitárias de outras instituições estratégicas do sistema de proteção de direitos, especialmente as defensorias públicas, ampliando redes de cooperação e fortalecendo a atuação conjunta.
“Precisamos aliar técnica e arte. É preciso trabalhar uma combinação excepcional entre rigor teórico, visão estratégica e compromisso prático com os direitos humanos, buscando novas formas de proteção à comunidade e propondo políticas públicas acessíveis e efetivas para a cidadania. É essa coerência entre reflexão e ação que viabiliza uma ouvidoria útil, zelosa, confiável, moderna e próxima da sociedade”, avaliou.

Segundo ela, o encontro também buscou consolidar o papel das ouvidorias universitárias como instituições fundamentais para a promoção da cidadania, da escuta qualificada e da defesa da comunidade acadêmica.
Cooperação inédita com a Defensoria Pública da União
Outro dos principais marcos do Seminário 2026 foi a assinatura do Acordo de Cooperação Técnica entre o FNOUH e a Escola Nacional da Defensoria Pública da União (ENADPU/DPU).
A parceria estabelece uma agenda permanente de cooperação para o desenvolvimento de ações voltadas à educação em direitos, fortalecimento do acesso à Justiça, promoção dos direitos humanos, capacitação de agentes públicos e aperfeiçoamento das ouvidorias universitárias e hospitalares.
Entre os objetivos previstos no acordo estão:
fortalecimento das ouvidorias como instrumentos de participação social;
formação continuada de ouvidores e equipes técnicas;
desenvolvimento de ações de educação em direitos;
construção de fluxos institucionais de orientação e encaminhamento;
promoção da cidadania e da democracia participativa;
ampliação das políticas de acolhimento às pessoas em situação de vulnerabilidade.
A iniciativa representa um importante avanço na aproximação entre universidades, hospitais de ensino e o sistema de Justiça.
UFRJ destaca acolhimento, direitos humanos e enfrentamento às violências
Durante a abertura, representantes da UFRJ destacaram o papel das ouvidorias na construção de ambientes acadêmicos mais seguros, democráticos e inclusivos.
A ouvidora-geral da UFRJ, Katya Gualter, apresentou as principais iniciativas desenvolvidas pela instituição, ressaltando articulações com o Ministério das Mulheres, Ministério dos Direitos Humanos, Controladoria-Geral da União, Ministério da Gestão e Inovação, Ministério Público e diversas redes nacionais voltadas ao enfrentamento das violências, do assédio e da discriminação.
Ela destacou que as universidades precisam permanecer comprometidas com a produção do conhecimento, mas também com a construção de ambientes baseados no acolhimento, no respeito e na defesa dos direitos humanos.
Já a vice-reitora da UFRJ, Cássia Turci, ressaltou a importância crescente das políticas institucionais de combate ao assédio, permanência estudantil e promoção dos direitos humanos nas universidades federais brasileiras, enfatizando o protagonismo feminino na construção dessas agendas.
Compartilhamento de experiências fortaleceu as ouvidorias brasileiras
Ao longo da programação, representantes de universidades federais, estaduais, institutos federais, hospitais universitários, Itaipu Binacional, Controladoria-Geral da União, Defensoria Pública da União, defensorias estaduais e demais instituições compartilharam experiências práticas relacionadas à atuação das ouvidorias.
Os debates abordaram temas como:
combate ao assédio e às violências;
promoção da cultura de paz;
direitos humanos;
integridade institucional;
mediação de conflitos;
escuta qualificada;
inovação nas ouvidorias;
participação social;
proteção da comunidade universitária.
A programação também contou com a apresentação da experiência internacional da RIdDU, ampliando o intercâmbio de boas práticas entre Brasil, Portugal e países da América Latina.
Assista às transmissões completas
As atividades do Seminário 2026 foram transmitidas ao vivo e permanecem disponíveis gratuitamente no YouTube. Os vídeos registram integralmente as conferências, mesas de debate, apresentações institucionais e demais atividades realizadas durante o encontro. Assista:
Homenagem emocionou participantes
O encerramento do seminário foi marcado por uma homenagem especial à professora Samira Mesquita, reconhecida por sua contribuição histórica ao ensino universitário.
Em depoimento, sua filha, Mariana Mesquita, destacou que, mais de três décadas após a morte da professora, sua contribuição permanece viva na universidade e nas pessoas que conviveram com ela.
"Ontem minha mãe recebeu mais uma linda homenagem do Fórum de Ouvidorias Universitárias e dos Hospitais de Ensino. Trinta e um anos depois da sua morte, seu legado continua reverberando."
Mariana também relembrou a trajetória acadêmica da homenageada.
"Samira foi professora de Literatura Brasileira por mais de 50 anos na UFRJ. Foi a primeira mulher eleita decana do Centro de Letras e Artes da UFRJ, na gestão do reitor Horácio Macedo, e professora emérita da UFRJ", disse.
O Seminário 2026 também prestou homenagem ao professor Rubens Pinto Lyra, um dos mais importantes estudiosos brasileiros das ouvidorias públicas e da participação cidadã.
Reconhecido por sua trajetória acadêmica e por sua contribuição para o fortalecimento das ouvidorias como instrumentos de democracia, controle social e defesa dos direitos fundamentais, Rubens Pinto Lyra teve sua atuação lembrada como uma referência permanente para pesquisadores, gestores públicos e ouvidores de todo o país.
A homenagem reforçou o reconhecimento do FNOUH àqueles que ajudaram a consolidar, no Brasil, uma cultura institucional baseada na escuta qualificada, na transparência e na promoção da cidadania.UFRJazz encerra programação
Como parte da programação cultural, o público acompanhou uma apresentação da UFRJazz, iniciativa da Escola de Música da UFRJ que, há cerca de três décadas, reúne estudantes e professores em um projeto reconhecido pela excelência artística.

A apresentação encerrou o Seminário 2026 celebrando a integração entre cultura, universidade e cidadania.




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